Quinta-feira, Março 31, 2011
Terça-feira, Agosto 03, 2010
A Terra
O chapéu de palha ao sol
As velhinhas
Conversam sobre batatas em cubos.
As batatas vêm da terra
As velhinhas vão para a terra.
O chapéu de palha ao sol
Só estava lá para assegurar a sombra.
Sábado, Abril 03, 2010
Sábado, Janeiro 23, 2010
Elementos
Nesta casa no meio do campo.
Bem assente no odor da terra.
Um abrigo dos impulsos automáticos.
Por vezes, a natureza toda parece engoli-la, a casa,
Envolvê-la toda
Como se de uma esfera verde se tratasse,
Enraizada por cima e por baixo, em todo o seu diâmetro.
Em todos os seus ângulos e cantos
Há uma continuidade para o canto dos pássaros,
O gotejar da chuva, lá fora.
Ouço também o latir dos cães
E os ramos das árvores açoitados pelo vento.
O coaxar das rãs e, lá longe, o relinchar de um cavalo imaginário.
E as poças na lama até se ouvem formar.
Um escopro metálico na pedra
Desenha os compassos do tempo.
Um livro que é lido em silêncio e muitas palavras que outros pensamentos
Por vezes lhe raptam para fora da história.
Estas são as palavras que apenas enumeram aquilo que é uno.
O fogo, à noite, que crepita
E funde tudo em torno do mesmo ar que respiramos.
A sonolência do calor ao frio.
Tudo isto observado de um palco, longe da cidade.
Quarta-feira, Janeiro 13, 2010
The Cinematic Dr. Poem e Trio Furuya

Segunda-feira, Novembro 23, 2009
A estória do 24
Conheceram-se numa rua escura, à porta de uma loja já fechada.
Ambos tinham fome e não se reconheceram. Ela pintara o cabelo e já não usava lentes coloridas.
Ele mudara por completo. Outro nome, outro corte, outro fato. Outro estilo. Outra gravata.
Viveram juntos uma semana.
Ela pintou o cabelo, mudou a cor dos olhos. Ele comprou uma nova colecção de gravatas e sapatos.
Destruíram-se por completo. E ele, expulsou-a do apartamento, depois de ela lhe lavar a roupa e lhe organizar as gravatas por tons.
Ela tornou-se fria e cautelosa. Mesmo quando ele fez amor com ela fervorosamente.
Destruíram-se completamente. Ele não lhe reconheceu a cor dos olhos.
Depois, mudaram a roupa da cama e o amor-perfeito aconteceu entre os dois.
Conheceram-se numa rua escura, à porta do 24. Já estava fechada.
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Romance epistolar. Carta 19 ou 20.

Estou numa taverna, numa calle qualquer en Raval. Bebo vino. Ay una chica sola defronte. Procuro cumplicidade.
As tavernas e o vinho tinto fazem-me pensar em ti. São as casas so jogo que mais procuro. As coisas simples e tingidas de vida fazem-me sempre lembrar-te. Penso que tu vais acordar-me por inteiro. Pêro no lo ay perdido.
Às vezes desconfio até dos amendoins que me esperam imóveis dentro de um pires branco. Se calhar é do branco que os contrasta. Todas as cores que principiam uma morte latente. Cabrona, sempre latente. Mesmo rompendo as montanhas de núvens. São brancas. Belas porque contrastam o azul profundo em formas almofadadas.
Ahora estoy tranquilla.
A moça beijou-o, o bruto. E ficou com o bico arregalado. Ela quer inspirar-me de longe. Paredes brancas com texturas niveladas por vinho rojo. É uma taverna em que me faz falta o teu silêncio, o ardor da foqueira, os teus olhos no meio das dunas reservadas numa negligência salutar. O mar e o sonho. Mas esse pressegue-me. Aos soluços. Abro as narinas para deixar correr o fumo negro. Abrirei ainda mais para folgar em ver-te. E os teus beijos. Amor e temperamento.